As grades estão fechadas.
Deixam passar uma nesga de ar respirável.
Eu, imóvel, no centro do alvo,
pequeno e vermelho como o meu corpo.
Permaneço em pé há tanto tempo,
que o próprio tempo me riscou da sua lista.
Também ele deixou de passar pelo meu sopro.
Fui várias vezes notificada que isso viria a acontecer.
Mas como podia?
O meu corpo boiava num mar de vazio,
Já não me obedecia.
O murmúrio do tempo chegava e partia,
como uma brisa de corrente.
Castigo,
com ele levou-me a esperança
do dia de amanhã ser diferente do de hoje.
E eu permaneço em pé,
não por teimosia,
mas por dormência.
Gastei a última seiva muscular
ao tentar-te colher nos meus braços inertes.
Dei-te toda a energia do meu olhar,
e ao verte neste sonho,
tu és uma trepadeira.
Disforme, trepas pelas grades,
como fazias pelo meu corpo
num esforço ávido de beber a luz do sol.
Os teus ramos são a moldura
que embala o meu ser,
o meu alimento,
o meu castigo.


3 Comments:
Errata para os mais atentos,
VER-TE
às vezes, só inertes, paradas, percebemos que o tempo não muda, fica, que nele crescem coisas, que nos fixam.
Gostei muito Sara, beijos e boa noite
Vanus,
gosto muito quando completas estas estrelas.
Obrigada.
Beijos
Publicar um comentário
<< Home