Musgo húmido de sangue,
dos instantes,
ali me perdia
deitada,
naufraga,
cansada de mim.
O olhar trepava pelos troncos rendilhados das árvores
e deitada via a floresta de uma forma privilegiada,
na perspectiva dos vermes que me acariciavam o corpo.
A densa vegetação era a minha casa em ruínas,
meu refúgio,
meu museu de recordações.
As silvas entravam
porta dentro,
penetrando sem licença,
os espinhos sussurravam notícias tuas,
esses mesmos instantes onde me perdia em sofrimento,
segredos meus derramados
no musgo de sangue que era o meu jardim
vermelho,
doce,
como as pétalas espinhosas que se grudavam no meu corpo,
cobrindo-o com um manto eterno.


5 Comments:
Identifiquei-me com muitas das expressões que utilizas. Gostei :-)
Quanto ao meu texto, o seu teor é erótico, Sara. É só do "corpo" do outro que eu faço um templo e não do seu intelecto. A oferenda é a entrega maior ou menor do nosso corpo :-).
Bjinho da sibylla
http://copulavocabular.blogs.sapo.pt/
parece-me. que esse lugar. é só teu. sem consentimento. não ouso sequer. espreitar.
abraço.
Transmitiste-me uma estranha ideia de simbiose. Estranha, mas extremamente bela. Até à próxima.
Miss Kafka, kafkiano.blogspot.com
As ruínas podem ser tão confortáveis, conhecemo-lhes todas as derrocadas, cada pedra caída, cada musgo crescido... nossas, são absolutamente nossas.
Gosto do que escreves.
Gosto de pétalas espinhosas que nos rasgam em sangue para que permaneçam, gosto, gostei de te ler.
Beijos.
Nada melhor para passar a minha neura que (os mimos) as palavras aqui deixadas.
Obrigada.
Beijos
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