“Olhe desculpe, podia dizer-me como posso lavar isto?”
Olhei para dentro de um saco de supermercado e vi umas cuecas amarfanhadas lá dentro.
Poderão pensar que já tínhamos alguma intimidade, para receber tal pergunta, mas de intimidade só mesmo a roupa íntima do senhor, porque eu nunca o tinha visto até então.
Ia a passar na rua a pé, como ando sempre, e fui abordada pelo senhor, já de uma certa idade. Queria saber se devia lavar as cuecas na máquina ou à mão. Eu respondi.
“ Isso tem que ser na máquina de lavar roupa, mas tem que ser a frio!"
Ao que ele respondeu:
“bem que me queria parecer! A senhora é assistente social?”
“Quem, eu? Respondi com um sorriso, “eu não, tenho cara disso?”
“Sabe, é que eu estou aqui há já algum tempo e ninguém parou para me responder, desculpe estar a incomodá-la mas sou uma pessoa muito sozinha e por vezes tenho necessidade de falar com alguém. Muito obrigada!”
E lá foi à sua vida e eu…
Eu fui à minha.


3 Comments:
eu conheço. muito bem essa sensação. é a minha profissão.
mas nunca. percas essa vontade. e pureza a responder. a quem precisa. assim. sejamos todos.
abraço. sara.
obrigado. os dias das noites.
Na rua, as pessoas andam tristes. Por vezes bastam duas palavras para ganhar um sorriso.
E continuar o caminho.
Por entre os dias e as noites.
Beijos.
nao sei se a historia que contas e real ou ficticia, mas independentemente isso so
demonstra que em ti ha algo, nao sobrevives, vives por ti e pelos outros. gosto muito do teu blog e da forma como escrves...
se kiseres passa no meu =)
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