6.09.2004

Passagem de um texto por escrever, do vazio que em minhas veias escorre. Sopro do ar por respirar que me apazigua num descanso longínquo. O meu corpo deixei-o, é agora uma marioneta, enroscada numa posição fetal, sem vida.

Madeira seca, pronta a arder num toque teu que não chega. As cores estalaram no último suspiro que me estoirou no peito.

Rebentaram, desfizeram-se em pó, deixando marcas, os veios dos estilhaços por onde escorrem as minhas lágrimas. Esse soro letal que se derrama e desbota o meu pensamento.

3 comments |

3 Comments:

At 12:30 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Ainda que a noite chegue lenta,
apagando as canções;
ainda que os outros pássaros
tenham ido dormir
e estejas cansado;
ainda que o medo rumine na sombra
e se cubra o rosto do céu,
meu pássaro, escuta-me
e não feches as asas!

Não. Não são as sombras do bosque,
é o mar que se levanta
como negra serpente;
não é a dança do jasmim em flor,
mas o fio da espuma...

Onde está a verde praia cheia de sol?
Onde está o teu ninho?
Meu pássaro, escuta-me
e não feches as asas!

A noite solitária
atravessou-se no teu caminho
e a aurora dorme
atrás dos montes sombrios.
As estrelas sutêm a respiração
e contam as horas.
A lua débil
bóia do céu profundo.
Meu pássaro, escuta-me
e não feches as asas!

Nem a esperança nem o temor são teus!
Não há para ti palavras
nem gritos,nem lar, nem ninho.
Tens apenas duas asas
e o céu sem caminhos!

Meu pássaro, escuta-me
e não feches as asas!

in "O coração da Primavera" de Rabindranath Tagore

 
At 12:01 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Intenso sem dúvida!

Mitro

 
At 2:13 da tarde, Blogger Sara said...

Que lindo poema me deixas-te no meu cantinho.
Obrigada Anonymous
Beijos

Mitro,
obrigada pela visita.
Beijos

 

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