6.04.2004

Uma tela
Vazia

Ao centro
Um sonho

Esquecido
Seco


"Estás aí? Passo por aqui tantas vezes e nunca tive coragem de te tocar."


Intimista


Na verdade, sempre esteve ali, num sonho, ao longe, num segundo plano.
Eu é que nunca a vi, à tela, na minha memória confusa.


Uma tela
Abafada

Ao centro
Um desconhecido

Silencioso


"Que engraçado, a tua pele é tão pálida!...
Posso dizer que consigo ver através dela, vazia".

Sentia-me tão bem, a observar, a tela, e saber que estava ali, à distância de um braço.


Conforto


"Toca-me", disse-me

"Tocar numa tela gélida? Não posso"


Ao centro

Uma ilusão

Risos


"Pálida... digo antes, ligeiramente azulada. Faz-me lembrar os riachos que de tão limpidos, ao escorregarem num manto de rochas, deixam transparecer os seus veios"

Do outro lado, a morte, disse:
"Pinta-me, deixa-me fazer parte do teu presente"


Eu não fui capaz, é sempre bom ter um sonho de reserva.



3 comments |

3 Comments:

At 3:42 da tarde, Blogger vanus said...

Lindo, Sara, gostei muito.
Beijos

 
At 5:37 da tarde, Blogger static said...

:)
gosto desta estrutura de escrita, meio teatral. Está mto bom.
kisses

 
At 6:42 da tarde, Blogger Sara said...

Obrigada as duas.
Beijos

 

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