7.30.2004


Digo-te que os meus passos cruzam os teus
Digo-te
Sussurro-te que os meus passos
Que reflectem os meus olhos nos teus
Num só corpo
Cruzam os teus pela ultima vez
Aperto
Sufoco meu
Sussurro-te que o que outrora te acompanhava
Em passadas mais rápidas
Segue por outra direcção
Perdeu o norte
meu norte
Teu corpo
Passadas compassadas pelo coração daquele tempo
Hoje tempo parado
Do instante que deixou de bater por ti

Deixo-te um beijo
Que marca o meu ponto de partida
Na direcção contraria à tua
Aperto
Sufoco de um só destino
Que o deixou de ser
Tu sabes
Porque conheces a linguagem dos meus beijos
Nos teus lábios
Os meus doces silêncios
Mas mesmo assim
Segues rumo ao norte
O meu norte
Que deixou
Neste instante
De ser o meu rumo.

Foto:Ricardo Andrés
Musica:Grant Lee Phillips
a cargo de DJ Lady Beck

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7.28.2004

Mais um Texto de B.P.
Já faz parte desta constelação




Depois de ter percorrido a noite, encontrei a madrugada num bar, junto ao porto e bebi os raios de luz, ainda tímidos, em todas as mesas. Pedro sentou-se em frente, os dedos trémulos do álcool, os olhos raiados de sangue, tristes, absortos na dor que o acompanhava, já por hábito. Um empregado grande e musculoso, antigo homem do mar, perguntou-nos o que queríamos.

- Vinho! Uma garrafa! – Respondeu Pedro, sem hesitar.

Acenei com a cabeça, confirmei o pedido.

O silêncio deitou-se entre nós, na dor que ele tinha, levemente atordoado pelo fumo intenso dos cigarros. Começou a beber, não só o vinho, também todos os Invernos que repousavam nas gabardines, nos gorros dos homens que voltaram com o mar, nos sobretudos desbotados das mulheres e dos homens pobres que trocavam pequenos esboços de amor. Bebia todas as lágrimas que derramava e se desfaziam incertas, na toalha de quadrados, já encardida.

Bebemos juntos e cúmplices, os olhos que se estendiam para lá do tempo, ali dentro, as mesas consumidas, a tristeza daquele ambiente feito de gente rude e histórias desconhecidas.

Num súbito instante os seus olhos brilharam. Vieram-lhe as memórias doces, o colo da mãe, as idas ao cinema do bairro com o pai, a escola de paredes brancas e o cheiro da plasticina, um jogo de bola numa tarde de férias, o cão que o acompanhava para todo o lado, até que subitamente atropelado o deixou sozinho. As tardes frescas no jardim municipal, onde com os amigos procurava raparigas de cabelo ao vento, descomprometidas. A primeira namorada. A praia, as dunas que lhe guardavam os segredos e depois os entregavam ao mar, o vento, as sombras frescas das tílias, as laranjas que devorava até não poder mais… um tempo guardado, ainda teimoso, colado à pele da alma, porque com ele estavam todos os que já haviam partido, e ficaram agarrados, saudosos, dentro dele. Mas já não lhes reconhecia os rostos, nem as mãos, nem os olhos.

E inchavam, inchavam tanto, como se quisessem continuar a amá-lo. Porque Pedro foi, sim, profundamente amado.

Foi nesse instante que pressenti a última queda, a morte que o havia de abraçar. Qualquer dia. Talvez numa tarde breve ou numa manhã parada, aberta e luminosa. Numa rua deserta ou junto ao rio, onde corre uma brisa de ar fresco.

Partimos rumo às ruas quase a acordar, com um peso agreste nos ombros e a estranha sensação de que entraríamos nas nossas casas como se fosse a última vez.

Soube da sua morte um dia, logo quando a manhã começou a espreitar, num jornal amarrotado, sobre uma mesa de um café agitado, como todos os que abrem as portas ao início fervilhante da cidade.

“ Jovem atira-se ao rio… chegou ao hospital já cadáver…”

Fui ao velho bar, procurei a madrugada que era a mesma onde tinha estado e bebi sofregamente a morte que foi de Pedro.

Hoje guardo os restos da saudade e o olhar sempre absorto, de quem abraça finalmente a morte, entregando-se às águas mortas do rio.


Foto:André Muller
Musica:Einstrurzende

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7.27.2004

Mais um belíssimo texto aqui deixado(post RUINAS)
Desta vez pelas mãos d’os dias das noites
Obrigada João



as ruínas. significam. o entretanto.

é como. o mar. que separa a alma. do fundo.




Musica:Archive
(Dj Lady Beck)
Foto:Jean Jacques Andre

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Afastas os sentimentos que te prendem
Num impulso ávido
Seco

Gritos cortantes de liberdade
sinto esses ecos

mas eu estou aqui e sofro
ao teu lado
deste lado

Danço nos teus beijos
estremeço nas tuas ausências

Agarro pocessivamente a tua memória
por entre a culpa de te querer tanto


Foto:A.Vizinho
Musica:The Postal Service

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Mais um texto aqui deixado (post "RUINAS")
em tons de “gift” que eu tanto gosto.


Posso acreditar, entra-se numa ruína como se entra numa casa. Que habitámos nos primeiros instantes.

As janelas rasgadas para o tempo, lá fora, abertas aos dias sossegados, às acácias que nos abraçavam com as as suas sombras imponentes, à brisa do mar. Era uma casa clara como as manhãs e o cheiro das amoras silvestres.

Acredito, sim, entramos numa ruína e procuramos os cheiros antigos, os risos da tarde, as acácias e o mar. O rasto das flores frescas, colhidas pela manhã, das maçãs luzidias sobre a velha chaminé, o seu cheiro. Os gatos, sonolentos numa tarde morna, de um Verão já prestes a abraçar o Outono…Percorremos o vazio colado nas paredes, agora negras e não entendemos o abandono, o silêncio, o frio que nem a velha lareira aquece. Porque uma ruína é uma casa moribunda, esfaqueada pela dor de um vandalismo clandestino.

Uma ruína perde-se no tempo, como as aves perdem a vontade de voar e ficam paradas, sempre a olhar, a beber o céu que as acolheu. E se deixam ficar, entregando-se sem resistência, ao último sopro.

Vem finalmente o grito, vem da madrugada e dos troncos velhos, o que resta das acácias. Vem do mar e do vento, entra-nos pela alma, subitamente muda. E amanhã, será apenas muito pouco, o que repousa nos nossos espaços brancos, de pequenas intimidades guardadas.

Uma casa não devia morrer.




Obrigada B.P. por estas tuas palavras.
Agora só falta um blog lol

Foto:A.Vizinho
Musica:Kings of Convenience


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7.26.2004



Musica:Elastica
Foto:A.Vizinho


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7.25.2004


Tento entrar nas ruinas,
feitas do mar do teu abandono.



Foto:José Marafona
Música:Diamanda Galas

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Os vossos comentários são estrelas nesta constelação.
Esta foi deixada no post anterior por B.P.



Não te impacientes, meu amor, espera…
que cada gesto se construa, como um sonho,
em cada minuto.

Não te impacientes, meu amor, espera…
que o silêncio molde o sorriso mais puro,
em cada olhar.

Não te impacientes, meu amor, espera…
que o meu rosto se ilumine, descuidado,
em cada palavra.

Não te impacientes, meu amor, espera…
que os olhos se encontrem molhados, como um rio,
em cada margem.

Não te impacientes, meu amor, espera…
que os corações comecem a amar, serenos,
em cada claridade.

Não te impacientes, meu amor, espera…
que os corpos se abracem abertos,
em cada leito.

Não te impacientes, meu amor, espera…

As aves já começam a cantar,
em cada alvorada.





Foto:José Marafona
Musica:Death Cab For Cutie

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7.24.2004

Diz-me porque me deixas tão solta
no teu corpo ausente.


O meu corpo gelou.
Que destino me queres traçar?
Procuro-te ao deitar.
Procuro os teus braços que enroscam o meu corpo,
que me embalam os sonhos,
e onde eu me perco em ti.
Dança para mim, como dançaram em outros tempos
as tuas palavras nos meus ouvidos.
Que me domesticaram o coração que é teu.

Que veneno doce me deixaste na pele
que me inquieta tanto?



Foto:Jean Jacques Andre
Musica:Nick Cave

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7.23.2004



"... E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se
apagaram.
Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre."



Texto: Miguel Sousa Tavares
Musica:Philip Glass

Obrigada CarlaB por este magnifico texto deixado por ti nesta contelação.

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7.22.2004

A não perder também no CCB


Olho uma fotografia de guerra,
um prisioneiro reconforta uma criança,
talvez um filho.

Pressinto as tardes lentas,
os passos secos de um silêncio pesado,
no areal de um deserto sequioso,
o sol que queima e dói na pele,
os olhos fechados do menino,
e as palavras clandestinas que são as deles.

Só deles.

Uma mão ampara a testa,
a outra enlaça o corpo,
aperta a mão pequenina,
feita de guerra e de fome,
e afaga a dor, a dor que é a deles.

Só deles.

Pressinto o que a criança não canta,
mas podia cantar nas tardes mornas,
ou nas manhãs claras do deserto,
na voz ausente da sua mãe,
já desfeita pelos bombardeamentos,
pelas granadas e pelos tiros,
sempre certeiros.

Pressinto as botas dos soldados,
os passos brutais e as armas apontadas,
prontas a disparar,
o arame farpado.

Pressinto o olhar parado,
cansado de tanto olhar,
de esperar sempre a olhar,
sempre a olhar.

No breve instante de um copo de água,
sentada no meu sofá sossegado,
pressinto a morte negra que é a deles.

Só deles.

Apago as luzes,
e morro também com eles,
num deserto perplexo,
onde as almas secaram.

Tão distante e agora tão perto.



Texto:Ana Pereira
Musica:Dead Can Dance

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Sugestão para o arranque de uma noite no Bairro Alto.
A não perder.


Bomba Take - "Desenhos animados"
de Vasco Diogo + António Pedro


23 e 24 Julho - Às 22h -
Estúdio da Bomba Suicida
(Rua dos Caetanos 26 - em frente ao conservatório de música - Bairro Alto)


"Desenhos Animados é um projecto de manipulação vídeo em tempo real,
de um conjunto de desenhos do autor, em diálogo com música electroacústica
tocada ao vivo.
Vasco Diogo utiliza um software de Video Jamming, controlado a
partir de um teclado midi, um laptop, projector vídeo, voz, sons
pré-gravados, câmara, alma e exposição dos desenhos originais ;
António Pedro utiliza um set de percussões, pad electrónico,
phrase looper e um laptop para dar corpo à ideia de filme animado
totalmente feito ao vivo."

"Transferência do lugar íntimo do atelier de criação para o lugar público da
performance, onde a improvisação visual e a expressão intuitiva de uma
realidade interior surgem como modos de canalização e transmissão de uma
energia vital, livre das estruturas bloqueadoras da racionalidade, entendida
como processo civilizacional. Reflexão sobre as possibilidades de acréscimo
de alma e aura à imagem desenhada, num contexto performático de utilização
de novas tecnologias. Cumprimento, ao vivo, do trabalhoso desígnio de
conferir movimento e profundidade ao desenho em superfície, deslocando-o das
formas convencionais de exposição para uma quarta dimensão.
"


Isto foi só para ficarem com água na boca.
Mais informações:
Bomba


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Negrume que envolve o romantismo
dos nossos dias.


As teclas e os toques polifónicos
arrancam as pétalas das rosas.

O que se segue?





Foto:Kamil Varga

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Mais um poema deixado aqui por B.P. sobre o post anterior.
Já se tornou um habito nestas constelações.



Dispo-te devagarinho,
neste quarto de sombras desenhado.

A noite geme nas ruas de pedra,
entrega a dor aos homens e mulheres
que pelas esquinas trocam afectos,
ainda desesperados,
incertos e tristes.

Entregas-te todo ao meu corpo,
mergulhas nas minhas pupilas escancaradas,
molhadas pelas lágrimas chuvosas
de uma noite apertada no peito,
inchada de desejos ainda ansiosos.

Revolvo-te o corpo já marcado,
procuro-te a alma que um dia me amou
e me cantou as aves lentas da manhã.

Encontro-a intacta,
doce e aconchegante.

Amo-te porque te habito!



Texto:B.P.

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7.21.2004

Guitarrada


Em que ritmos te perdes
meu maestro de sonhos?
O caminho é tortuoso, sentes?
Deixa-me descansar nas tuas pausas.
Embala-me como criança assustada.
Estou tão cansada!!



Foto: Ana Marta


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7.20.2004

Estou sem palavras perante as tertúlias que passam por esta constelação.

Puxem de uma cadeira ou um pufe e juntem-se,
não se acanhem a deixar aqui palavras,
sentimentos soltos.

A todos muito obrigada.

Deixo aqui mais um poema inspirado no meu post.
Obrigada B.P. de novo sem palavras.


São fortes e rugosas,
as mãos do escultor.

É num pequeno instante,
silencioso,
solitário,
num segundo de madrugadas,
dôres,
e vinho
que te tocam essas mãos,
e procuram as formas a corrigir.



A noite incha, silenciosa,
e dói, dói tanto,
e as mãos apertam-te,
traçam-te,
alisam-te,
procuram a perfeição.

As armadilhas são finalmente esbatidas,
e os mêdos dissecados.

As aves vêm com a alvorada,
branca,
fresca,
e tão nitida.

Procuram o teu sorriso,
minuciosamente esculpido,
os teus olhos,
onde fazem os ninhos de esperança
e folhas da manhã.

Pertences agora, às mãos do escultor,
que te acudiu
e libertou.

E as aves partem, levam a dôr para dar ao rio...

Restam as noites e os dias,
regados de paixão,
vinho tinto,
e silêncios subitamente sossegados.


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Simplifica os meus traços,
com as tuas mão de escultor.



Dissolve as armadilhas por mim eleitas.
Os meus espinhos não são fronteiras,
São medos.



Foto:Pavel Banka

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Poema deixado aqui, sobre o post anterior.
Lindo!! Obrigada B.P. estou sem palavras.

 
 


Um pé,
a base
e um corpo que o completa.

E do corpo crescem as pernas,
os braços que se alongam,
te enlaçam
e te embalam.

E te sufocam, tantas vezes.

Os olhos abrem-se,
atraentes,molhados
e colam-se aos teus,
bebem e sugam as tuas côres.

Mergulhas e afundas-te alegremente,
e não pensas no teu mêdo,
no tempo que perdes-te
e que agora recuperas,
finalmente renovada.

Então, nascem as gotas da esperança
e das crenças reencontradas.

E nesse mergulho vivo,
sempre verdadeiro,
encontras a alma
que te alimenta.

E não te deixa descarrilar!

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7.19.2004


És a força que não me deixa descarrilar.

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7.17.2004

“Tenho principalmente não ter nada,
Dormir seria sono se o tivesse.”


Assim escreveu Fernando Pessoa,
mas será que é desta que eu me vou deitar?
Depois conto.


"Ser consciente é talvez um esquecimento.
Talvez pensar um sonho seja, ou um sono.
Talvez dormir seja, um momento.

Quem me diz que o rochedo bruto e quedo
Não é o verdadeiro consciente
- O êxtase perene de uma mente
Que deixa o corpo hirto ser rochedo?
Só a morte o diz
- mas quem me diz que o diz"

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7.16.2004

A tela (cont)

Achei lindo este poema deixado no post: A TELA.
Pode muito bem ser a sua continuação,
por isso aqui vai:




Texto:B.P.
Foto da cara:marco.profanArte

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7.15.2004

Abraçada aos vidros suados




Abraçada aos vidros suados da janela do meu quarto, procuro a cidade.

Um homem foge à polícia, pressinto os tiros certeiros que procuram o fugitivo e o encontram. Um grito sacode o meu corpo, sinto um arrepio e imagino os olhos parados do homem que tomba secamente no chão.

Ao longe, as fábricas vomitam um fumo acinzentado que asfixia e os cargueiros apitam, angustiados, a dor secreta dos homens que junto ao cais, sonham terras que nunca viram e entregam às águas mortas do rio, a sua esperança quase vencida.

As ervas crescem rebeldes nos telhados e um gato dorme, modorrento, abraçado ao sol. Há roupas enforcadas nas cordas dos prédios. Esvoaçam ao vento que lhes segreda os silêncios tristes que se perderam pelas esquinas sombrias da cidade.

Distingo nas ruas assimétricas e esburacadas, as crianças pobres que brincam com os restos das calçadas, ouço-as brigar com as palavras agressivas e violentas do seu mundo já adulto.

E o homem fugitivo jaz morto, entre as mãos secas de uma cidade tão agitada, que não tem tempo para pensar que um homem matou outro homem



Texto:Ana Pereira

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Uma tela







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7.14.2004

A morte dos amantes




Poema:Baudelaire
Foto:Herzog

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TRAGO NOS OLHOS



Texto: Ana Pereira
Foto: Herzog

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7.13.2004





Agora o canto vertiginoso tem uma rádio no cotonete

Texto: Mão morta "MORGUE"
Foto:Herzog

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7.12.2004




Sobre as colinas longas e despenteadas,
meus olhos procuram para lá do céu,
o rasto claro de uma ave enlouquecida.

Meus braços, sobre as ervas magoadas,
aguardam o sopro lento do vento
que tardio, os vêm afagar.

Meu canto, mudo e incerto,
procura por entre os espaços aguçados,
a euforia ainda viva e quente,
de um sonho libertado.

Reencontro os dias, os meses, os anos,
e no ventre de um tempo, levemente alaranjado,
finalmente esquecida,
me diluo, mansamente,
neste silêncio adormecido.


Texto:Ana Pereira
Foto:José Marafona

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Ama-me como sou




Fotos de:Herzog

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7.10.2004



Post inspirado na sugestão de leitura dos voos
Foto:Pek

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A um amigo



Foto:Pek
Texto:Sara

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7.09.2004

A minha serenata



"Come on a long with the Black Rider
We'll have a gay old time
Lay down in the web of the black spider
I'll drink your blood like wine

So come on in
It ain't no sin
Take off your skin
And dance around your bones

So come along with the Black Rider
We'll have a gay old time

Anchors away with the Black Rider
I'll drink your blood like wine
I'll drop you off in Harlem with the Black Rider
Out where the bullets shine

And when you're done
You cock your gun
The blood will run
Like ribbons in your hair

So come along wit hthe Black Rider
We'll have a gay old time

Come on along with the Black Rider
I've got just the thing for thee
Come on along with the Black Rider
I want your company

I'll have the veal
A lovely meal
That's how I feel
May I use your skull for a bowl

Come on along with the Black Rider
We'll have a gay old time"


Musica:Tom Waits-The Black Rider
Foto:Pek

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Aguardo pela tua serenata

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Jardim de Espinhos

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7.08.2004







Foto de Herzog

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7.07.2004



Einstein

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O EXORCISTA SILENCIOSO

Os arbustos rangem
como se fossem beijos no escuro,
Queimaram o alecrim ou
os olhos líquidos da velha? A pele
precisa sempre de fumo -- tranparências sonoras.
O suão.

Fernando Grade in " O vinho dos mortos"
Foto de Elcio Paraiso

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7.06.2004

A pele dos amantes

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7.05.2004

Sopa de letras

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7.03.2004





AL BERTO
in O ANJO MUDO

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Sophia de Mello Breyner


Foto de Renata Ribas



ITACA

“Quando as luzes da noite se reflectirem imóveis nas águas verdes de Brindisi
Deixarás o cais confuso onde se agitam palavras passos remos e guindastes
A alegria estará em ti acesa como um fruto
Irás à proa entre os panos pretos da noite
Sem nenhum vento sem nenhuma brisa só um sussurrar de búzio no silêncio
Mas pelo súbito balanço pressentirás os cabos
Quando o barco rolar na escuridão fechada
Estarás perdida no interior da noite no respirar da mar
Porque esta é a vigília dum segundo nascimento

O sol rente ao mar te acordará no intenso azul
Subirás devagar como os ressuscitados
Terás recuperado o teu selo a tua sabedoria inicial
Emergirás confirmada e reunida
Espantada e jovem como as estátuas arcaicas
Com os gestos enrolados ainda nas dobras do teu manto”



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7.02.2004

Desorganização Mental




Foto retirada do CD de Nine Inch Nails
The Downward Spiral

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