Deixa-me a saudade nos lençóis de pele
pele minha
fria
sem ti.
Musica: Camouflage
Foto: Jorge Oliveira
Estrela vertiginosa

10.31.2004
10.30.2004
Deixei de sentir o aperto do adeus a sufocar o teu último beijo.
Sigo pelos passos dos dias sem amarras nem despedidas.
Musica: Mirah
Foto: Marina Edith Calvo
10.29.2004
Perco-me
quieta
com a musica a tocar-me o corpo
olhando as estrelas
num negrume de sonhos largados
ROYAL CITY
MIGALA
AZURE RAY
THE CRANES
Fotos: Ryan Zoghlin
10.28.2004
10.22.2004
Está uma serpente, mesmo diante do teu corpo imóvel, absorve-te os sentidos, num jogo de prazer vertiginoso.
Risco, como tudo na tua inconstante vida amorosa.
Mas tu jogas, no fundo és um jogador, já conheces as regras tão bem como a serpente que tens à tua frente. Como ela, também a tua pele se renova conforme a mentira.
E a serpente chega perto, arrasta-se com movimentos libidinosos aos quais tu não resistes. Dança lentamente com as ancas, olhando-te sem pestanejar. E tu, sempre imóvel à sua frente.
Os vossos olhares lambem-se, abusam um do outro, e o cheiro afrodisíaco de futuros orgasmos aperta-te o pescoço. E ela vem, beija-te levianamente o corpo, ao passar. Sentes o cetim escamoso da sua pele, seduz-te melodiosamente o espirito. Começa por tocar no teu pé esquerdo, o teu primeiro arrepio, depois....
Os dados estão lançados, já não há como voltar atrás.
Um homem, uma mulher, dois corpos juntos, um por cima do outro, qual deles o mais gélido por dentro. Só o suor derramado, mostra o calor da paixão.
Um homem, uma mulher, dois corpos juntos, qual deles vai magoar mais o outro?
Musica: Cat Power
Foto: Debbie Caffery
10.19.2004
Manchas azuis espelhadas
Fogosos raios de luz
Onde se estende um mar salgado
Mãos, dedos longos e fortes
Capazes de sustentar a leveza
De uma vida perdida
Suspensa no limiar entre mundos
Terrenos os pés suportam
A força de todo o equilíbrio
Quero ser uma vida no limiar
Sublime fronteira em risco
Que estar suspensa assim
Sem um apoio e saber
Que no fundo daquele precipício
Está a suave ligeireza da reacção
de sustentação de um som
Abafo de uma dor que nem chega
A ser uma perdição
Preciso de ti... da tua força
Do teu sofrimento
Preciso de saber que ali estou segura
E jamais me perderei!
Musica: Rodrigo Leão
Texto: Tejina
Foto: Jose Marafona
10.18.2004
Tento rasgar a tua pele
Sugar de ti toda a força
Do sangue que é teu
Para te roubar a vida
Que o mundo já levou
Não te quero morto
Mediante a mente infalível
Para te continuar a ter em mim
Estou viciada na vida que não é mais
Tremor da ressaca
Esforço toda a tua dor
Para te entrar na pele branca e gelada
Rasgar-te o coração até ao fim
Transgredir o silêncio dos lábios selados
A humidade da solidão que me deixaste de herança
Por ti matava todas as veias
Despedaçava cada movimento descoordenado
Cada passo incalculado
Preciso de sorver todo o teu sangue
Aquele que te jorra dos olhos quietos
Ainda te sinto em mim... quente e palpitante
Ainda te sinto correr no meu sangue perdido
Agora quem te mata sou EU!!
Musica: Hidalgo
Texto: Tejina
Foto: Sónia Bernardo
Obrigada Tejina, adoro estas prendinhas aqui no blog
10.16.2004
10.14.2004
Deixa-me beber os raios de lua espelhados.
Consegues ver os meus medos?
Seus raios espelhados reflectem os meus desejos,
os meus tormentos,
as minhas ânsias.
Pergunta à lua por mim.
Pergunta-lhe como eu lhe perguntei um dia,
como era o teu cheiro,
como era o teu estremecer,
como era o teu descanso.
Vi-te nos seus raios espelhados,
assimilei o teu cheiro,
arrepiei-me com o teu estremecer,
amei-te no seu reflexo.
Pergunta-lhe como eu lhe perguntei um dia como me perder em ti.
Musica: Massive Attack
Foto: Ana Marta
10.12.2004
"Quis profanar-te - se é que esse verbo pode dizer a urgência de te romper a pele para a incendiar com a dor da vida, de te ressuscitar com beijos ou atravessar contigo o túnel húmido da morte."
Musica: Johnny Cash
Texto: Inês Pedrosa, in 'Fazes-me Falta'
Pintura: Dina Oliveira
10.08.2004
10.06.2004
Se em tudo deixaste uma lágrima translúcida de letra salgada
como o vento das palavras que me devora o corpo em tormento
e tudo deixar de mim ao acordar com uma lagrima tua


Se em tudo deixaste esverdeado vazio como folha ao relento
esquecendo também os meus beijos noutro corpo largado como a ventania que me sussurra os sonhos num leito mal dormido
e num sopro eu tudo deixar pudesse
Musica: The Postal Service
Fotos: Ulisses
10.04.2004
Entro numa sala despida de objectos, interrompo não querendo interromper.
Seis olhos grudam o meu corpo.
Seis, porque dois são do Barnabé, o gato da Inês e do Francisco. Tal como os donos, também ele interrompe o que estava a fazer para olhar, interrogando, o vulto que acabara de entrar.
O suspense entoado pelo silêncio, encheu a sala.
Inspirei todo o ar para golfar palavras que não as soube dizer.
Dois rostos vazios continuavam imóveis em mim, qualquer expressão me arrancava palavras.
Mas, os seus rostos permaneciam como as suas vidas, como a sala, como os seus olhos, despidos de emoções vividas.
Virei-lhes costas e parti.
Inês e Francisco voltaram a fingir que se amavam, e o Barnabé voltou a baixar a cabeça e a aninhar-se no seu corpo de pelos.
Musica: Nick Cave
Foto: Plutarcos Haloftis
10.01.2004
- Com um sorriso nos lábios, espero e desespero por uma gota de seiva,
sentes o meu arrepio?
- Não, devia?
- Sente o meu mergulho na neblina nauseabunda em busca de um acordar ameno
- Dás-me sede com essa conversa.
- Entranho-me e desapareço nos lençóis que me adoçam a pele vermelha.
É isso que sinto ao olhar para esta garrafa de vinho do Porto.
- Vamos abri-la?
- Não, espera, sente primeiro.
- Pois eu sinto simplesmente vontade de a abrir.
- Homens e preliminares não combinam, mas podias fazer um esforço para me acompanhares.
- E acompanho, não vais beber o vinho sozinha, depois...
podemos passar para esses lençóis doces que falas.
Musica: Eels
Foto: Connie Imboden

