11.30.2004


Metamorfose

dois corpos

duas texturas distintas

só um sonho os prende


Musica: Allapolacca

Foto: Jo Whaley

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11.29.2004



Sopro-te com o olhar
Sorrateiro
Que, inevitavelmente, se desprende

De mim para ti.



Musica: Belle & Sebastian

Foto: Laurie Tumer

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11.27.2004



Simplicidade


Musica: LOW / K.


Foto: Paolo Romani

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11.24.2004



Morte do querer ver a morte
com medo de dar passos de dança nas teclas de um piano de calda
preto
o piano da minha vida
Melódico...
melancólico...
mel...
nas veias
que rompe com o som
que quebra com as notas
pausas
silencio
fim


Musica: Rufus Wainwright


Foto: Pedro Conceição

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11.20.2004



-“Quando voltas”, pergunto trémula

-“Escorre tinta de uma tela gasta
perdida pelo belo das paredes brancas

sussurras-me ao ouvido
-“... já não me encontro por entre os homens

Eu permaneço como as gotas de tinta clandestinas
que esbatem o teu rosto
deambulo em tangentes aos teus olhos
foco neblinas desfocadas pelas lágrimas
agarro a loucura que me ultrapassa

Jogo palavras num mando disforme de saliva
consumida pelos beijos secos
que se conservam sem se renovar

-“Quando voltas”, pergunto

-“Volto quando da foto me viver como um todo no teu corpo


Musica: Sigur Rós


Foto: Mark Eshbaugh


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11.17.2004



lembras-te das partidas. dos sitios que deixaste para ires. para outros lugares. mais longes que tu. lembras-te.

e tudo era uma confusão. radiante. o desprezo pela respiração. a tremura. do negro enrolado no desconhecido.

e foste. radiante. e sorrindo.



Musica: Bullet

Texto: João


Foto:Kay Denton

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11.16.2004



Construo-me em mim
para chegar ao altar onde te guardei



Musica: Damien Rice


Foto: Adam Moore

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11.15.2004



Compasso estranho pouco ordeiro este quando tu estás perto.


Musica: Maximilian Hecker


Foto: Pamela Creevey

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11.14.2004



Existem domingos assim, insólitos.

Musica: Agoria


Foto: Aline Smithson

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11.13.2004

Prestador de serviços



A mão toca ao de leve
E chega ao coração
Serviço de transportes públicos
Da emoção

O dedo escreve na areia
Uma história
Dois parágrafos
Serviço de socorros a náufragos

A testa na parede
Flanqueada por cinzeiros
Fluxo intenso
Serviço de bombeiros

Pelo amor de Vénus
Facto banal
Caiu Marte à Terra
Serviço de pesquisa espacial

Dois corpos entre lençóis
Entrelaçados, entretidos
Entremeados, que ninguém aparte
Serviço à la carte


Musica: The Post Service


Poema: Frederico Sacramento


Foto: Pedro Camara

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11.11.2004



fecho-me em gavetas
beijo-te com as chaves
para que lentamente chegues ao meu leito
e com as paginas de pele do teu corpo
me reinventes os sonhos guardados



Musica: Mono


Foto:Adam Moore

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11.09.2004



Porque me deixas ver o outono do teu corpo
O abandono que dele fizeste



Musica: Tindersticks


Foto: Marcus Eriksson

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11.05.2004




ao lado. o mar. e as pedras no fundo. mais pesadas que a àgua. mais fundas que o fundo. e sobre elas. a mão que agita as ondas. e o sal. sobre a tua pele e sobre as pedras. e as pedras. nos teus olhos. cegos de ar. e não havia correntes que te segurassem. junto. a este chão partido. e o segredo estilhaçado. como uma maré embrulhada no silêncio. como um invólucro. fechado.

queria-te pedir. um desejo. para que não me desses mais a mão. porque me foges. e a àgua sobre os nós dos dedos. fazem escorregar a dor. para dentro dos braços. e não ouço. o sangue. e não ouço. as veias. e o sangue. é o azul do céu. carregado.

ao lado. o mar. é a raiva da tua partida. quando me ouvias dizer. que o mundo é um lugar para se guardar. flores.

lentamente. a manhã. amanhece como um pedaço de corpo. aberto com as mãos. sujas. de tanto abrirem corpos.

e os corpos. fechados. não guardavam mais invólucros. com segredos para se injectar nos braços. para fazerem doer. os nós dos dedos. para enregelarem as mãos. com a água fria. do mar. ali. ao lado.

moribunda. a despedida que te fiz. sem que houvesse ausência para me despedir.

.

.

.

Segredo por Contar.



Musica: Nick cave


Texto: João


Foto: Ricardo Pinto Ferreira

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11.04.2004




- Ouviste o que disse o aquecedor?
- Como?
- Repara na luz. Repara como muda de intensidade... Está a dizer qualquer coisa!
- Mas isso é um aquecedor, não fala!!!
- Shut!... Não ouves o murmúrio?... Está a dizer qualquer coisa!
- Mas isso é o barulho da electricidade a passar...
- Shut!... Escuta!...
- Deixa-te de tretas. Vamos embora!
- Não posso.
- Não podes?!?...
- Tenho de ficar ao pé da luz. Está a querer dizer-me qualquer coisa! É importante!...
- Importante?!? Ainda acabas é na Casa Amarela a apanhar choques eléctricos...
- Pois eu acho que há aqui uma entidade qualquer, um ser de outra dimensão, uma energia cósmica, a tentar estabelecer contacto comigo... Repara no cintilar, nas pequeninas explosões de luz... Isto não é electricidade!
- Não!... Isso não é electricidade... São miolos a fritar!
- O quê?
- Disse que tens os miolos a fritar. Deve ser do calor...
- Por acaso estou cheio de frio!... Não queres ligar o aquecedor?
- Mas tens o aquecedor no máximo! Nem sei como não te queimas, aí tão perto...
- Shut!... Escuta!...
- Bom, vou-me embora! Depois conta-me o que te disse o ET...


Musica: Spectral Aeons

Letra: Mão Morta - Nus


Foto: A. Vizinho

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11.03.2004



Porque do meu sangue te alimentas
Quis rasgar meu coração
Em mil pedaços indolores
Numa tentativa frustrada
De te manter em mim
Mutilei meus desejos
Alimentei-te incessante
A ti, sanguessuga insaciável
Viciei-me nas tuas vontades
De presença incansável
Porque de ti preciso em mim
Enquanto tu viveres...
Mutilada... Eu viverei!!


Musica: THE ASTEROIDS


Poema: Tejina

Foto: Kathy Slamen

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